São hormonas estruturalmente iguais às nossas.
Isto tem muitas vantagens, uma vez que os receptores onde elas actuam estão-lhes totalmente adaptados, reconhecendo-as como se tratassem das nossas próprias hormonas; para além disso, o fígado não as reconhece como estranhas, estando preparado para as metabolizar, o que impede a sua acumulação neste órgão.
As hormonas não bioidênticas, sendo química e estruturalmente diferentes das nossas, podem acumular-se no fígado, que não está enzimaticamente preparado para as metabolizar, havendo mesmo a possibilidade destas se transformarem em metabolitos nocivos para o nosso organismo. Além disto, a sua diferença estrutural não permite o correcto “encaixe” com os receptores hormonais, promovendo, por isso, uma acção não totalmente semelhante àquelas que são bioidênticas e que mimetizam exactamente as produzidas pelo nosso corpo.
TODAS AS MULHERES E HOMENS DEVEM FAZER A TERAPÊUTICA DE COMPENSAÇÃO HORMONAL?
Embora as hormonas bioidênticas, quer manipuladas, quer de venda pela indústria farmacêutica (em farmácia comum), tenham menos acções acessórias e representem menos perigos para a nossa saúde, é imperativo individualizar a prescrição, adaptando-a a cada mulher/homem e fazendo-a, também, depender da idade, da condição física, sintomatologia, observação dos exames analíticos e outros de imagem.
As hormonas bioidênticas não promovem o desenvolvimento de um cancro até aí inexistente, mas, tal como as hormonas não bioidênticas, se houver um tumor genital (mama, útero ou próstata) em desenvolvimento e ainda não detectado pelos exames, elas vão promover o seu desenvolvimento. Por este motivo, nos primeiros 6 meses de tratamento, o acompanhamento da mulher e do homem é imprescindível e deverá ser não descuidado.
O FACTO DE SE TRATAREM DE HORMONAS BIOIDÊNTICAS SIGNIFICA QUE SÃO MANIPULADAS E TRANSDÉRMICAS, OU SEJA, DE APLICAÇÃO PERCUTÂNEA?
Não, podem ser ou não manipuladas. Nós utilizamos as manipuladas quando não temos no mercado a dosagem adequada ao nosso utente.
Esta dosagem é determinada pelo alívio da sintomatologia e avaliação dos exames analíticos. É necessário, por isso, um profundo conhecimento dos sintomas da deficiência hormonal, especificamente dos estrogénios, progesterona e testosterona, quer na mulher, quer no homem.
Por vezes é necessária a utilização de uma hormona sintética não bioidêntica, devido à acção que desejamos num utente específico. Por exemplo, uma testosterona sintética injectável confere uma acção mais rápida do que uma testosterona sintética bioidêntica transdérmica, caracterizada por uma acção somente ao fim de quatro meses.
Numa mulher que sangre podemos ter de utilizar uma progesterona não bioidêntica.
Cada situação concreta deve ser devidamente ponderada e analisada, sendo que se deverão utilizar, sempre que possível, e pelas vantagens de que já demos conta, as hormonas bioidênticas.
No entanto, cada caso é único e não podemos, nem devemos, fazer generalizações que nos precipitem para decisões erradas. Por este motivo, cada consulta tem uma elevada duração.
Outro ponto de extrema importância, tem que ver com as interferências hormonais, ou seja, de que forma cada hormona específica interage com todas as outras e as desestabiliza ou não.
As hormonas são como uma sinfonia harmoniosa, onde cada nota tem o seu lugar e actuação própria, bastará uma pequena alteração para desarmonizar o todo. É muito importante ter isto em conta, bem como a suplementação, que pode coadjuvar, decisivamente, no alcance do equilíbrio hormonal.
HORMONAS E CANCRO, QUE RELAÇÃO QUANDO FALAMOS DE HORMONAS BIOIDÊNTICAS?
Os estudos realizados que revelam um pequeno aumento da incidência de cancro com a utilização de estrogénios, não foram realizados com hormonas bioidênticas.
O desequilíbrio entre as hormonas pode estar na origem do cancro. Não as hormonas em si, que ao estabilizarem o nosso humor, diminuindo o nosso stress, podem ter, até, um efeito protector.
É muito importante a vigilância regular da mulher e do homem.
Se a vigilância for a correcta e a necessária, qualquer sinal, será detectado a tempo. Pelo contrário, em situações em que o utente não realiza qualquer terapêutica, este seguimento e vigilância estão descurados, uma vez que o acompanhamento é menor.
Não há que ter medo de hormonas idênticas às que existem no nosso corpo naturalmente.
Há sintomatologia que nos indica que podemos estar perante um caso de excesso ou de deficiência de determinada hormona, pelo que, é imperativo o tempo para inquirir e observar o utente, sem pressas nem pressões. Nenhuma consulta para tratamento hormonal pode demorar menos de 60 minutos.
Quem se dedica a este tipo de medicina tem de ter tempo e paciência para ouvir e observar detalhadamente o utente, para dar conselhos alimentares essenciais para uma boa regulação hormonal e suplementação, que o ajude a estabilizar e harmonizar o seu organismo. Simultaneamente, um tipo de acompanhamento como este, próximo e dedicado, facilita sobremaneira o trabalho do médico.
QUE PATOLOGIAS MAIS FREQUENTES PODEM SER TRATADAS COM HORMONAS BIOIDÊNTICAS?
O nosso equilíbrio e bem-estar assentam em cinco pilares básicos: alimentação correcta, exercício físico, suplementação alimentar, hábitos de vida saudáveis e equilíbrio ou modulação hormonal.
É nestes cinco pilares que assenta a “medicina anti-envelhecimento”.
O equilíbrio hormonal previne o aparecimento de inúmeras doenças, sobretudo do foro degenerativo, e trata, frequentemente, sinais e sintomas relacionados com:
– Menopausa;
– Andropausa;
– Fibromialgia;
– Fadiga adrenal (burn-out);
– Resistência a perda de peso;
…entre outras.
