MENOPAUSA, TRATAR OU NÃO TRATAR

Publicado por Ivone Mirpuri no dia 3.05.2016

Só cerca de 30% das mulheres na menopausa têm os chamados calores. Mas sem tratamento hormonal, todas terão a secura vaginal, a atrofia das mucosas, incontinência urinária, diminuição da libido, maior flacidez da pele e do corpo, perda da massa muscular, para não falar da sensação de cabeça vazia, perdida, falta de concentração e memória que a maioria refere. Tudo isto associado a falta de sono, e a uma grande diminuição da qualidade de vida neste período da vida da mulher. Este é o quadro comum perante uma mulher na menopausa.
Sinceramente acho incrível como se pode não tratar uma mulher que nos pede ajuda, pondo-lhe dúvidas (ainda mais!) na cabeça não respondendo às suas perguntas e ainda por cima colocando dúvidas acrescidas, com a transmissão de ideias de que “hormonas fazem mal”!!!
Só mesmo quem não lida com mulheres, pode não compreender o sofrimento que a grande maioria tem, muitas vezes contido, e com grande esforço guardado, mas sentindo no seu íntimo que muita coisa está a mudar.
Acho sinceramente “criminoso” não tratar uma mulher na menopausa. Hormonas não fazem mal nos níveis óptimos. Causam doença tanto em níveis altos…como em níveis baixos inadequados.
É insensato rematar o desconhecimento científico dizendo á utente que “não se meta nisso que é perigoso”. As hormonas têm de estar em equilíbrio umas com as outras para que tudo decorra bem, e é nossa obrigação ajudar a não transformar as hormonas em substâncias menos boas para o nosso corpo, evitando café, tabaco e álcool por exemplo.
A mulher deve ser tratada com hormonas bioidenticas, o que não aumenta o seu risco “inato” e até pode diminui-lo ao diminuir o stress a que essa mulher está sujeita. E sim, cancro está é relacionado com o stress disso temos a certeza absoluta também.
Esta situação era evitável se todos os médicos estivessem esclarecidos em relação às hormonas bioidenticas.
Usar hormonas Bioidenticas ou não bioidenticas não é a mesma coisa. SIM! De facto as “pílulas” usadas na menopausa aumentam o risco do cancro da mama em 10-24% dos casos em relação às que não fizeram. Assim dizem os estudos efectuados. SIM! Se associadas a uma progestina esse risco é ainda maior aumentando em alguns estudos em até 67 % e o risco cardiovascular ainda maior é! SIM! Isto é tudo verdade nenhum estudo o contradiz. Mas estamos a falar de hormonas não bioidenticas.
Não há grandes séries de estudos com HBI tal como foram efectuados com as não bioidenticas. É um facto. Mas não podemos descurar o que existe, a experiência de mais de 40 anos de utilização destas hormonas, que não são nada de novo como a ignorância julga ser, e que produzem melhorias significativas na nossa qualidade de vida.
Queixas frequentes da mulher com desequilíbrio hormonal são a irritabilidade, falta de libido, secura vaginal, incontinência urinária, falta de sono, tendência para engordar, flacidez maior da pele com perturbações do sistema musculoesquelético e num futuro próximo osteoporose, um gravíssimo problema de saúde pública para o qual devíamos estar alertas, pois todas as terapêuticas de que dispomos são antireabsortivas não formando osso “de novo”, pelo que há que prevenir. E se o nível de estrogénio de uma mulher não estiver em cerca de 90 ng/L não conseguiremos nunca combater a osteoporose com as terapêuticas de que dispomos habitualmente.
Tal como já vimos à parte os problemas físicos que advêm da falta da reposição hormonal, estão inevitavelmente associados os problemas psicológicos e emocionais.
“Cabeça vazia”, “falta de concentração e memória”, “calores” incomodativos a ponto de causarem clausura de algumas mulheres, tendência depressiva e agressividade são sintomas frequentes.
Só vamos viver uma vida. Temos de a viver o melhor que possamos, com boa qualidade e felizes, não constituindo um peso à sociedade nem à família no futuro.
Manter o equilíbrio hormonal representa mais saúde e felicidade.