“Pesquisas” enviesadas recentes fizeram esta associação.
O sensacionalismo em Medicina é muito perigoso.
O perigo bem estabelecido do uso de melatonina na criança continua a ser “abafado”. E esta “notícia” sem nexo é explodida como notícia muito importante.
Este “estudo” recente, não passa de uma “análise observacional” de dados registados em bases médicas.
Chaveiros como “Novas pesquisas” e “Estudo recente” a mim deixam-me sempre com “pé atrás”.
Este “estudo” foi efectuado nos Estados Unidos da América, onde os suplementos de melatonina são erradamente vendidos como suplementos alimentares, na verdade como se passa cá em Portugal estando não sob jurisdição do Infarmed mas da Direcção Geral de Alimentação e Pecuária, sendo uma hormona potentíssima considerada como suplemento erradamente.
Já escrevi em Março sobre este assunto e lamento tudo continuar na mesma, com todas as promessas feitas de que isto ia ser revisto, pelas entidades responsáveis.
Neste “estudo recente” logo duvidoso, os milhares de adultos com insónia crónica que tomaram melatonina por um ano ou mais apresentaram um risco 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca nos cinco anos seguintes, em comparação com participantes que tinham os mesmos riscos de saúde, mas não tomavam melatonina (4,6% vs. 2,7%).
Os usuários de melatonina também apresentaram uma probabilidade três vezes maior de serem hospitalizados por insuficiência cardíaca e cerca de duas vezes maior de morrer por qualquer causa.
Esta pesquisa apresentou limitações significativas, não foi concebida para comprovar causa e efeito e contradiz todos os estudos anteriores que indicam benefícios para a saúde cardiovascular.
Vejamos pois os óbices deste “estudo”:
1- Este “estudo” não passa de uma análise de base de dados utilizada nos Estados Unidos, com registos médicos.
2- Juntaram cerca de 130 mil adultos com registo de “insónia crónica” que utilizavam melatonina há pelo menos um ano. Há quanto tempo? 1 ano? 10 anos? O tempo de utilização tem importância para o bem e para o mal, se não houver indicação. Desenvolver uma diabetes tipo 2, com todas as consequências cardiovasculares associadas em população mutante para o MT2 não pode ser desconsiderado. Manter interferências negativas inter hormonais ou medicamentosas, por pouco ou muito tempo, também não pode ser desconsiderado.
3- Média de 55 anos de idade e maioria mulheres ( 61,4%). Sabemos como a insónia está relacionada a maior doença cardíaca por si só, podendo aumentar TA, inflamação e hormonas do stress, por disrupção do ritmo circadiano e dado o papel importantíssimo da melatonina, muitas vezes deficiente nesta situação, como anti oxidante potentíssimo, anti-inflamatório e protector neuronal, entre outras.
4- Grupo placebo mal controlado dado que foi constituído por pessoas que “não tinham registo” de utilização na base de dados utilizada neste “estudo”, o que não queria dizer que não o fizessem.
Ora, se há Países que exigem receita médica para a melatonina como o Reino Unido, outros há como os Estados Unidos (e Portugal), que não o exigindo, não estavam registados como usando, e foram assim incluídos no grupo controlo.
5- Também não foi um estudo convenientemente controlado, pois que quem usa melatonina por insónia ou por doença, naturalmente terá outras medicações associadas que não foram contabilizadas. E são muitas as interferências medicamentosas.
6- Também não se referiram dose, marcas, formas de administração e tipo de substância utilizada (accao rápida, lenta, combinada). Nos Estados Unidos, como a melatonina é vendida como suplemento alimentar, os fabricantes não estão sujeitos ao mesmo nível de rigor das medidas de segurança e dos processos de aprovação de medicamentos da FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA). Isso significa que os suplementos de melatonina podem conter quantidades significativamente maiores do ingrediente ativo do que o anunciado ou necessário, além de aditivos ocultos prejudiciais.
Milhares de estudos anteriores já referiram os benefícios da utilização no adulto quando indicada. Um dos perigos é a Mutação MT2, que pode favorecer o desenvolvimento de diabetes tipo 2, como já em outros trabalhos tantas vezes referi.
A prevalência de insónia é muito elevada, com estimativas variando de 10% a 30% para distúrbios de insónia crónica, embora os números variem de acordo com os critérios de diagnósticos e a população estudada.
A insónia crónica, é definida como a dificuldade em adormecer ou voltar a dormir por mais de 30 minutos, até três vezes por semana, durante mais de três meses. Ela pode levar a problemas de memória, falta de energia durante o dia, alterações de humor, dificuldades de raciocínio e concentração, baixo desempenho no trabalho ou na escola e impacto na vida social.
Muitas pessoas recorrem à melatonina como uma solução de curto ou longo prazo para problemas de sono. Mas, para algumas pessoas, o suplemento tem sido associado a vários efeitos colaterais, incluindo dores de cabeça, náuseas, tonturas, sonolência, dores de estômago, confusão ou desorientação, tremores, pressão arterial baixa, irritabilidade, ansiedade leve e depressão. São as pessoas que não precisam e qualquer dose é pois excesso, sendo típico o ter sonhos vividos, e acordar “exausto” 3-5 horas depois quando em dose excessiva.
A melatonina não é inócua de facto, e contra indicada em pessoas com menos de 19 anos, sendo que a indicação na criança tem indicação formal, e é largamente utilizada pela população e profissionais de saúde, que desconhecem o poder da melatonina e a sabem utilizar.
A melatonina tem muitas interferências com outras hormonas que importa conhecer e já referi por diversas vezes anteriormente.
Há que se ser objectivo e saber que é uma hormona maravilhosa se com indicação, e saber utilizá-la. (www.gemae.pt). É muito errado continuar a ser vendida como suplemento, aumentando sem qualquer dúvida a comorbilidade da população não por ela só em si mesma se sem indicação, mas pelas interferências não só com outras hormonas como já referi, mas com múltiplas medicações comumente efectuadas pela população a conselho de médicos e farmacêuticos, que se esquecem de que a 3ª causa de morte no Mundo inteiro é o erro “médico”.
Uma boa higiene do sono envolve limitar a exposição à luz, o tempo de écrans e o consumo de alimentos e álcool nas horas que antecedem o sono. Manter o quarto escuro, fresco e silencioso são premissas importantes, tal como tentar bons pensamentos na hora de ir dormir e afastar ideias negativas e lembranças dolorosas.
E lembrar que como em qualquer outra substância farmacêutica utilizada, deve ter indicação precisa do médico/farmacêutico e que a marca dose e via de administração e formulação são importantes para o sucesso do tratamento.
