A IMPORTÂNCIA DA VISITA REGULAR À GINECOLOGIA vs VACINAÇÃO HPV

Publicado por DigitalConnection no dia 7.12.2019

Ivone Mirpuri – 12/2019

INTRODUÇÃO

Há mais de 10 anos tinha efectuado uma revisão bibliográfica, relativamente à vacinação contra o HPV. Nessa altura decidi não vacinar os meus filhos. Este tempo passado e porque continuamente vejo as minha utentes a serem aconselhadas a vacinarem-se, mesmo depois dos 50 anos, o que me faz certa confusão, resolvi efectuar segunda revisão bibliográfica. A minha opinião mantém-se. Agora mais consistente.

Neste breve artigo explico o porquê.

Ao efectuarmos uma pesquisa, não devemos procurar apenas os pontos fortes mas também os fracos relativamente ao assunto que pesquisamos, pois na verdade é o peso entre estes dois pontos que deve ser valorizado, para a nossa tomada de decisão.

Esta minha pesquisa, seria infindável, se eu tratasse das mulheres, mas apenas as oriento para a ginecologia relativamente a este assunto, por isso esta é apenas a minha opinião fundamentada depois de muito estudar sobre este assunto, para que possa esclarecer correctamente as mulheres que me procuram e que trato, na minha área de actuação: a modulação hormonal e o envelhecimento saudável.

Por todo o lado vem escrito que o HPV, é a segunda neoplasia mais mortífera a seguir ao cancro da mama na mulher jovem. Isto é verdade, quando observamos a estatística a nível mundial. Contabilizando os países onde a prevalência é enorme de facto dada a pouca prevenção primária e secundária, e onde realmente a vacina seria justificada. Países pobres e subdesenvolvidos. Dos novos casos, 84%  são destes países.(site OMS) Mais de 85% das mortes derivadas do cancro do colo do útero também. (site OMS)

São estas as mulheres que deveriam ser vacinadas e não o são. E deveriam, pois não têm outra forma de prevenção nem primária nem secundária.

Em Portugal, o número de mortes ao ano por cancro do colo do útero (CCU), antes da vacinação incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV) o que aconteceu em 2008, era de 200. (12) Em 2018, 10 anos depois da introdução da vacina contra o HPV no PNV o número de mortes por CCU é de cerca de 340 (9), um acréscimo de cerca de 75%. Há pois um acréscimo substancial numa população que vacinou nos primeiros 10 anos cerca de 85% da população alvo. (11)

Porque é que isto aconteceu, se a vacina é de facto eficaz em proteger contra as estirpes que contém? E o programa foi um sucesso tendo atingido o seu objectivo de vacinação. Penso que a explicação mais lógica é pela falta de vigilância associada à falsa protecção que a vacina confere.

A maioria das mulheres com cancro do colo do útero são mulheres não vigiadas. Muitas vezes há mais de 5 anos, sem serem observadas. Daqui a importância da vigilância ginecológica regular. Fazer a vacina confere indevidamente a permissão para “aligeirar” a visita ao ginecologista, pois pensam que estão protegidas contra “a maior causa de cancro do colo do útero, que mata tanta gente que é a segunda causa de morte no mundo inteiro a seguir ao cancro da mama”. O que a comunicação social divulga e leva a interpretação errada pelo que já expliquei.

70% dos cancros de colo de útero a nível mundial, são devidos à persistente infecção pelas estirpes 16 (20%) e 18 (50%) do HPV, protegidas pelas vacinas em uso actual (1).  É verdade. Mas apenas se forem vacinadas antes de qualquer contacto.(1) A vacina é preventiva, mas não trata. Daí o aconselhamento dos 9-26 anos. Após iniciar a actividade sexual mais de 80% da população está estimada como tendo tido contacto com o vírus do HPV. E se forem vigiadas regularmente serão tratadas, e o corpo resolve em mais de 90% dos casos sozinho em 2 anos. (6)

Daí o aconselhar-se a vacina aos 9-10 anos de idade. Cerca de 7,5% das crianças começam a actividade sexual antes dos 12 anos (! Estatística mundial, mais uma vez. Será esta a solução em vez de uma educação sexual? Será esta a solução para uma vida futura feliz emocionalmente? Há estudos que indicam menos natalidade em mulheres vacinadas. Não acredito que por infertilidade. Mas porque emocionalmente o tipo de vida que levaram não as fez ter vontade de serem mães. Não estou a dizer que a vacina é um passaporte para a promiscuidade, mas que a falsa liberdade conferida é grave no desenvolvimento físico e emocional de uma jovem.)

Em Portugal, 49,3% dos adolescentes entre os 15-19 anos de idade já tinham tido experiências sexuais (dados de 2005). (11)

Há no entanto outros  genotipos de alto risco, não incluídos em nenhuma vacina, incluindo 35, 39, 51, 56, 59, 68, 73 e 82. (Skeate et al, 2016) (2). A vacina não protege destes nem confere reactividade cruzada, logo populações com maior frequência deste serotipos não serão protegidas com a vacina. (2)

Isto acontece por exemplo na America Latina.

Em Portugal, as estirpes mais comuns são de facto os serotipos 16 e 18, os responsáveis pela grande maioria dos tumores de colo de útero. (9)

O HPV Information Centre elaborou o relatório Mundial, da Europa e de Portugal, publicado online em Junho de 2019 e podem consultar sobre isto. (6), (7) e (8).

HPV

O HPV, constitui um grupo de vírus DNA de cerca de 200 genótipos como já vimos. Estes vírus infectam epitélios das mucosas e pele. Cerca de 40 deles têm capacidade de infectar o tracto genital e há cerca de 15 serotipos (espécies) de HPV, capazes de infectar o tracto genital e de desencadear tumores malignos, especialmente do colo uterino. Os chamados de elevado ou alto risco.

Os HPV capazes de desenvolver o tumor são chamados de alto risco (oncogénicos) e os outros de baixo risco (não oncogénicos). Dois destes de baixo risco, o serotipo 6 e 11, são os maiores responsáveis pelo aparecimento das verrugas vulvares (condiloma acuminatum), mas os outros de baixo risco podem não provocar lesão aparente.

O HPV também é responsável por outras doenças como a papilomatose recorrente juvenil respiratória. (9)

VACINAS

A vacina é efectuada com um componente não infeccioso presente no vírus, a partícula L1, que é uma partícula estrutural “major” da estrutura viral, e desencadeia a formação de anticorpos neutralizantes, quando ligada a partículas semelhantes ao vírus, (as VLPs, de Vírus Like Particles) de vários serotipos, consoante as vacinas, que inibem o desenvolvimento do agente patogénico, quando em contacto, pois reconhecem através desta pequena parte, o vírus. (3)

Devemos ter em atenção que a vacina é profiláctica e não terapêutica. As células tumorais não expressam a proteína L1, em quantidade significativa para que a resposta à vacina que utiliza esta proteína seja responsiva ao tumor. (2)

As duas vacinas contra o HPV mais conhecidas são a Gardasil (Merck) aprovada na União Europeia e EUA em 2006, e a Cervarix (GSK), aprovada na União Europeia em 2007 (3). Temos apesar de tudo ainda muito pouco tempo para avaliarmos a sua eficácia a longo termo. (2)

Sendo patologista clínica, e importando-me com a química das reacções, não encontrei nenhuns estudos a nível micro molecular a explicar o que a vacina desencadeia no corpo, relativamente a estímulos autoimunitários, libertação de citoquinas inflamatórias, e outros processos químicos que necessariamente se desenvolvem quando inoculamos partículas estranhas no nosso organismo. Não encontrei nada relativamente à passagem da barreira hematoencefálica, e acção a nível das células do sistema nervoso, vias de activação e inibição químicas.

Todas as vacinas contêm um adjuvante para ajudar na resposta imunitária. A Gardasil 4, contem 225 ug de hidróxido de alumínio. A Gardasil 9 contém o dobro, 500 ug. (Gee et al, 2016)

A Cervarix contém um adjuvante “próprio”, o AS04, que além do sal de alumínio contém 3-O-desactyl-4-monophosphoryl lipid A (MPL), que parece ser ainda mais potente. Sendo o AS04 um componente inovador desconhecemos as reacções que poderá provocar a longo prazo.

A Cervarix, é uma vacina bivalente, produzida em células de insecto, composta por L1 VLP de HPV 16 e HPV 18. Estes dois tipos são responsáveis por cerca de 70% dos cancros do colo do útero.

A Gardasil 4, é uma vacina quadrivalente, produzida em levedura, contendo VLPs de HPV 16, HPV 18, HPV 6 e HPV11. Estes 2 últimos são responsáveis por mais de 90% das verrugas genitais.

A Gardasil 9, é uma vacina nonavalente, que contem mais 5 serotipos frequentes de alto risco, do que a Gardasil 4. ( Contém VLPs de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58.)

Ambas eram administradas durante 6 meses em 3 doses. A partir de 2018, passaram-se a administrar apenas 2 doses na população dos 9-14 anos e as 3 doses nas populações com mais de 15 anos.

Ambas conferem seroconversão em mais de 99,5% dos vacinados, desde que sem contacto prévio com a estirpe viral. (3)

A protecção profiláctica da vacina parece ser duradoura, embora hajam poucos anos desde a sua integração na prática clínica. Só 11 anos.

Apesar da sua eficácia na prevenção da doença e infecção futura, a vacina não induz regressão nas lesões já  estabelecidas (3)

A protecção cruzada verifica-se apenas entre os serotipos 16 e 18, os mais semelhantes. (3), ao contrário do que muitos pensam.

REACÇÕES ADVERSAS

A vacinação não é concordante em todos os países, sendo que no Canadá, Brasil, México e Argentina, o numero previsto de vacinação está muito aquém do desejado.

Isto porque foram relatados efeitos adversos negativos, relacionados com a vacinação.

Na Colômbia inclusive houve registos de suicídios depois da vacinação (Tabackman 2017).

O Japão, depois de 4 anos da introdução, suspendeu a recomendação da imunização contra o HPV em 2014 (Larson et al, 2014). Esta decisão foi efectuada por casos de dor crónica e outros sintomas. (2)

Penso que anda não a reintroduziu.

Os efeitos mais frequentemente reportados com a Gardasil são: dor, tumefacção sangramento, inflamação no local da injecção e dor de cabeça, febre, náusea, diarreia, dor abdominal e síncope.

As reacções relativas à Cervarix são em mais de 20% locais, tal como a Gardasil e as gerais com mais de 20% relativas a cansaço, mialgias, sintomas gastrointestinais e artralgias.

Os sintomas mais frequentes quer de uma quer de outra incluem dor crónica, com parestesias, cefaleias, fadiga e intolerância ortostática (Martines-Lavin 2015)

Até aqui tudo OK, pois são reacções comuns em outros tipos de vacinação e não seriam graves se não fossem  mais persistentes.

Mas de facto, mais de 93 % dos afectados com estes sintomas mantêm-nos por mais de 4 anos incapacitando-os de voltar ao trabalho e à escola (Tomljenovic et al, 2014, Martinez-Lanvin et al, 2015) (2)

A artropatia crónica foi já associada a outras vacinas, como a rubéola e a hepatite B.

No entanto a OMS, considera a vacina “safe”, sem que tenham sido provadas como causadora de toda a sintomatologia descrita e que levou o Japão a abolir a vacina do seu programa de vacinação.

Apesar da segurança atribuída à vacina, a Colômbia reportou um número desproporcionado de dor neuropática, muito superior ao descrito pela companhia produtora do Gardasil (Sanchez.Gomes and Hernadez-Florez 2014) (2)

Devemos ter também em conta, que as doenças desmielinizantes após a vacinação não são desprezíveis (2). Também reportadas com outras vacinas.

O termo ASIA (Autoimmune/Inflammatory Syndrome Induced by Adjuvants), engloba sintomas associados ao adjuvante utilizado e inclui sintomas como febre, mialgia, artralgia e artrite. Com a vacina do HPV observamos cerca de 3,6 casos por cada 100.000 doses de HPV. Sendo a dose da Gardasil 9 mais potente, este número expectado é maior, e havendo predisposição para doença autoimunitária num indivíduo, esta carga maior é de se considerar indo favorecer essa resposta (2)

A Colômbia não vacina as mulheres com esta predisposição. (2)

Estão também descritos casos de  Trombocitopenia autoimune com anticorpos anti-fosfolipidicos após vacinação para o HPV. (Bizjak et al, 2016)

Outras reacções  descritas incluem retinopatia (Ogino et al, 2014) (2), pensando-se ser originária de fenómeno autoimune. (2)

Os efeitos secundários, devem no entanto ser monitorizados apertadamente e reportados sem “desvios”, para nos assegurarmos de que os benefícios ultrapassam os perigos da vacinação (2)

Mas nós médicos não estamos habituados a reportar efeitos adversos.

Surdez pós Gardasil é frequente. E não está reportada como tal.

Sinais neurológicos, que constituem cerca de 50% dos sinais que persistem, estão descritos e todos conhecemos estes casos. E não estão reportados como associados à vacinação.

Os pais por desconhecimento, na maioria dos casos não associam, ou se associam “não têm voz”, e muitas vezes o médico não o admite, pois recomendou a vacinação. E continuará a recomendar pois é “segregado” pelos colegas se não o fizer.

Penso que só com a força da voz dos pais das crianças afectadas, algo será mudado.

Não faz sentido,  vacinar crianças contra doenças que não são próprias das crianças. Quando o seu sistema imunitário está mais fragilizado e imaturo. As reacções são de facto mais frequentes em crianças. Não nos adultos.

CONJUGAÇÃO DE FACTOS

Factores de risco para as infecções pelo HPV incluem predisposição genética, estado imunitário, co-infecções com outras doenças sexualmente transmitidas, e tabaco.(2)

Ainda multiparidade, início precoce da actividade sexual, múltiplos parceiros, uso de ACO de longo termo, infecções HIV ou outras causas de imunossupressão a longo termo (3)

A infecção persistente deste vírus está associada não só ao carcinoma do colo do útero, (frequentemente serotipos 16 e 18) mas também orofaringe, anus, vulva, vagina e pénis, cabeça e pescoço, neste caso mais serotipo 16. (2) e (9)

Estes tumores cada vez mais frequentes também no nosso país. E no entanto Portugal preza-se por um PNV eficaz e abrangente. E a vacina foi introduzida há 11 anos.

Sabemos também que 90% das lesões têm auto resolução, ou seja o nosso corpo resolve-as. (2) e (3).

As alterações de baixo grau observadas na citologia, na maioria das vezes desenvolvem-se rapidamente depois do contacto infecioso. Estas lesões de baixo grau são detectadas numa citologia de rotina (ASC-US, LSIL ou CIN1). Estas pequenas alterações regridem na maioria das vezes.

5-15 anos depois dependendo da sensibilidade e intensidade do método de “screening”, pode então desenvolver-se a lesão de alto grau, chamada de CIN 3.

A progressão de um CIN3 para um tumor invasivo leva muitos anos ou até décadas (3).

O intervalo do contacto até alto grau, é geralmente menor do que do alto grau para o tumor. (3)

Se durante todas estas décadas do potencial desenvolvimento do tumor, em que a mulher deveria ser vigiada (desde que inicia a sua actividade sexual) estas alterações não forem detectadas, então a incorporação de determinadas partículas do vírus no próprio material genético da célula epitelial, vão levar à progressão para o desenvolvimento do tumor.

Na verdade nunca se observou o “vírus” nas lesões, mas apenas partes dele, os fragmentos E6 e E7, havendo até quem ponha em causa a etiologia do tumor pelo HPV. A verdade é que a protecção é conferida por anticorpos neutralizantes contra outra proteína o fragmento L1, associado às tais VLPs de que falámos, específicas de cada serotipo, e que a vacina protege do desenvolvimento e progressão para a doença, caso o contacto seja posterior à vacinação.

Então se formos vigiadas, efectuaremos a detecção precoce e o tratamento adequado e muito provavelmente curativo, não correndo o risco das acções adversas da vacina, ou efeitos a longo prazo que desconhecemos ainda.

Dir-me-ão que não é agradável ter condilomas. Penso que não. Mas só uma das vacinas protege o serotipo 6 e 11 associados aos condilomas, e a maior parte das infecções não são destes serotipos. E avaliando os riscos da vacinação, e a hipótese da prevenção, não considero nem nestes casos a vacina válida. Além de que cerca de 10% das verrugas genitais não são protegidas pela vacinação (3)

Estaremos a injectar um produto com risco, para eventualmente proteger de uma situação evitável de outra forma.

O tempo de desenvolvimento das lesões é de 5-20 anos. Como vimos, e para reforçar repito, depende de riscos associados, como baixa de imunidade, tabaco, medicações, stress, doenças físicas ou mentais agudas ou crónicas, múltiplos parceiros sexuais. Nestas a vigilância deve ser mais apertada, e aconselho a visita ao ginecologista de 6 em 6 meses nestes casos.

O tempo de avaliação da eficácia da vacina é de 15 anos. E o que vemos escrito por todo o lado, se pesquisarmos é a elevação “exponencial” (burden) da infecção HPV, pós vacinação. (9)

Se o tempo cura a maioria das lesões, as mulheres forem vigiadas, e o tratamento precoce instituído, seja ele com o Coriolus Versicolor, o que aparentemente é desconhecido de muita gente, mesmo da classe médica, a avaliar pelos comentários ridículos que já ouvi, embora muitos ginecologistas já o utilizem, com crioterapia, ou outro que a ginecologista encontre como mais adequado, e que depende do grau da lesão obviamente, para que nestas mulheres precisamos da vacina que tem riscos de facto?

Se estivéssemos em país de 3º mundo, sem informação boa ou má e sem qualquer prevenção primária ou secundária, a minha opinião obviamente não seria esta.

Porque 7,5% das miúdas iniciam a actividade sexual antes dos 12 anos aconselha-se vacinar antes, aos 9-10 anos.

Dados de 2005 em Portugal revelam que cerca de 50% (49,3%) da juventude entre os 15-19 anos de idade já iniciaram a actividade sexual. (9)

Discordo em absoluto desta medida. Qualquer dia estamos a vacinar as miúdas ao nascimento, em vez de lhes dar uma educação sexual, de base e consistente, educando estas crianças. Nunca foi minha filosofia remediar mas prevenir. E quanto mais cedo vacinarmos as crianças, maiores são os riscos, dada a fragilidade do sistema imunitário.

Os riscos associados à vacina podem ser ligeiros, como já vimos (sinais inflamatórios no local da injecção, cansaço e lipotímias), mas podem ir até sinais neurológicos graves e excepcionalmente à morte. Até uma picada de insecto o pode fazer. Certo.

Mas como vimos, se atingido o sistema nervoso, os sinais neurológicos persistem, incapacitando a vida da utente, muitas vezes jovem.

Quantos de nós relatamos ao Infarmed as reacções adversas medicamentosas que temos? E que constituem nos EUA, a 3ª causa de morte a seguir à doença cardiovascular e ao cancro? (British Medical Journal, 2016)

Penso que poucos, a não ser que o efeito adverso seja grave, (assim o preconiza o site do Infarmed, só relatar os efeitos graves) e pelos vistos grave é a morte o que se já aconteceu em Portugal, não foi relacionado à vacina.

No estudo da eficácia da Gradasil 9, foram registadas 7 mortes. “Nenhuma relacionada com a administração da vacina” (15 776 vacinados dos 9-26 anos). (14)

O próprio médico não admite muitas vezes, que o efeito adverso, seja devido à vacina.

E estes efeitos adversos graves, no que se refere a esta vacina, são em mais de metade deles do foro neurológico. Incapacitantes e limitantes.

A verdade é que nos países que vacinaram maciçamente a sua população jovem, quando as vacinas surgiram, o risco na década seguinte aumentou imenso comparativamente aos que não vacinaram e podem assim servir de população controlo, como a França. (5)

PREVENÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA DA INFECÇÃO PELO HPV E CANCRO DO COLO DO ÚTERO

A Prevenção Secundária, corresponde à vigilância regular destas mulheres, com vista à detecção e tratamento precoce das lesões eventualmente observadas, evitando-se a progressão para o estadio tumoral.

Com efeito, a citologia efectuada (Papanicolau) em países industrializados, reduziu muito a incidência deste tumor. A citologia anual é essencial e a revisão médica sobretudo ginecológica também. Não é demais pois enfatizar a importância da visita ao ginecologista, de forma regular, desde que se inicia a actividade sexual.

Se as lesões tumorais continuam a aumentar, é porque este método está a falhar. E não é isso que deveria estar a acontecer em países desenvolvidos.

A Citologia é um método simples e económico.

Mas as crianças vacinadas e com experiência sexual, sim, pois vacinamos crianças e a actividade sexual como vimos inicia-se cada vez mais cedo, pensando estar protegidas, não vão ao ginecologista. Nem sabem que o devem fazer, nem pedem aos pais para as levarem. Se houvesse uma boa comunicação com os pais, talvez isto não acontecesse, nem o início da actividade sexual fosse cada vez mais precoce.

Todos os trabalhos que consultei de avaliação custo benefício, indicam a vacina como cost-effective. Mas não têm em consideração o desprezo da prevenção secundária da população vacinada. Assim as projecções a longo prazo, não serão verificadas. E a verdade é que verificámos um acréscimo da população infectada, depois da introdução da vacinação contra o HPV no PNV. (9)

Se falha a vigilância periódica, a solução é efectuar uma prevenção primária mais eficaz, educando a população e não arranjando soluções para os problemas que assim nunca se resolverão e levarão a uma sociedade doente e pouco produtiva.

Com a crença de que a infecção pelo HPV, é responsável por praticamente quase todos os casos de cancro do colo do útero, torna-se urgente então, a introdução de uma prevenção primária, para redução deste, e dos outros tipos de cancro atribuídos ao HPV, como já vimos.

A Prevenção Primária tem por objectivo evitar ou remover factores de risco ou causais antes que se desenvolva o mecanismo patológico que levará à doença.

Deve ser efectuada neste caso às crianças, adolescentes e adultos jovens, mesmo aos pais, e ao fim e ao cabo a toda a população, com vista à diminuição da incidência da doença, ensinando os factores de risco associados, por exemplo, e a existência de uma prevenção secundária e da sua enorme importância. Sobretudo, friso, da visita regular ao ginecologista.

A vacinação é prevenção primária. Mas a vacina tem riscos que já vimos, é dispendiosa, a Gardasil 9, custa cerca de 140,00 euros protegendo contra nove serotipos, e a Cervarix, 72,00 euros, protegendo contra os dois serotipos mais frequentes, o 16 e o 18.

A vacina não protege de todos os serotipos, necessitando da prevenção secundária igualmente, facilita na cabeça imatura da juventude uma falsa protecção e descanso na vigilância pelo ginecologista e na execução da citologia. Além de um falso passaporte para uma sexualidade mais livre e decerto não benéfica na sua estrutura emocional futura. Além do mais a vacina, por todos os motivos já apontados, tem de ser complementada com a citologia regular. Então que ganho temos, quando seguramente temos um (pequeno “grande”) risco de nos alterar a vida para sempre de forma negativa, não nos dando mais que o que obtemos com uma boa prevenção primária e secundária, e com muitos milhões de custo também, não falando nos custos morais?

A prevenção primária, que não a vacinação, está difícil pois passaria por uma educação sexual e estrutural/emocional, mais sólida à criança, com vista à redução do número de parceiros sexuais e início mais tardio de uma actividade sexual. E muitos pais e professores se demitem da sua função de educadores.

Uma campanha bem feita de sensibilização à população, às miúdas que iniciam a actividade sexual, é fundamental. Dos próprios pais para os filhos, nas escolas, na comunicação social.

O uso do preservativo não confere protecção adequada. A circuncisão dos rapazes parece conferir um certo factor protector, embora sem muito decréscimo da incidência. Reduzir o número de parceiros sexuais, obviamente seria uma excelente forma de eventualmente se reduzir a incidência da infecção.

A vacinação faz parte desta prevenção primária também, e desempenhará um papel importantíssimo nos países em desenvolvimento, onde toda a prevenção primária e  mesmo o screening/rastreio citológico falham.

Mas em Portugal penso que poderíamos mais reforçar a prevenção primária sem a vacinação em crianças tão jovens, e investirmos mais na sensibilização ao rastreio.

A vacinação ficaria para adolescentes mais velhos e jovens adultos, com sistema imunitário já mais maduro, e antes do início da actividade sexual, depois de pesar alguns factores e de explicar a necessidade da continuação do rastreio. Se a actividade sexual cada vez se inicia mais cedo, não é a justificação para vacinarmos. Qualquer dia vacinaremos ao nascimento, como fizemos com a hepatite B, o que não faz qualquer sentido vacinar nesta faixa etária, para uma doença que não é prevalente na infância. O prejuízo, quanto mais nova é a criança deve-se não só à  acumulação do adjuvante de alumínio, associado às que necessariamente devemos vacinar pois são patologias da infância, mas por imaturidade do sistema imunitário como vimos.

Talvez a vacinação seja fundamental quando sabemos estar perante uma família em que os riscos da falta de diálogo entre pais e filhos, vai colocar a criança em risco. Nós temos um Serviço Nacional de Saúde estruturado. Verdade que com muita falta de médicos de família em muitas zonas do país, mas não é a vacinação que vai diminuir a incidência do CCU, e a mortalidade a ela associada, mas a falta de vigilância periódica, pois o número de mortes por CCU quase duplicou como vimos em 10 anos após a vacinação.

Ressalvo ainda a importância dos testes para detecção do HPV, obrigando as mulheres a maior vigilância, e caso justificado a tratamento precoce, prevenindo assim o desenvolvimento do cancro do colo do útero.

A pesquisa do HPV- DNA por PCR é um teste muito sensível se positivo por cerca de 2 anos, com um elevado valor predictivo de diagnóstico  de CIN alto grau nos 5-10 anos seguintes.

CONCLUSÃO

É o  bem do utente que deve mover o médico. A consciência de um plano eficaz e de combate ao cancro do colo do útero, em Portugal é o objectivo de todos nós.

Não pertenço a “movimentos anti-vacinas” advogando a vacinação obrigatória das vacinas da infância. Há o perigo dos adjuvantes, mas são doenças frequentes neste grupo etário. Temos pois de pensar que são talvez importantes.

Hoje relaciona-se o autismo com a quantidade exagerada de alumínio que damos às crianças através da vacinação. Vacinemos pois apenas contra as infecções que são frequentes nas crianças. Escusemo-nos às outras.

Oponho-me a algumas como a esta, à da hepatite B, ao nascimento, um absurdo, pois o sistema imunitário ainda não está desenvolvido o suficiente para essa resposta. Aliás o problema maior é exactamente este. Quanto mais cedo pior e tal como referi, qualquer dia estamos a fazer com a vacina do HPV, o que fizemos com a hepatite B.

Tenho contacto directo com uma jovem que desenvolveu artrite crónica juvenil, 4 semanas após vacinação contra a hepatite B, antes de 1 ano de idade. Faz terapêutica imunossupressora, desde então. O médico que a segue nunca relacionou com a hepatite B. Para mim é óbvio que foi reacção imunológica à vacina. A componente da vacina.  Para os pais destas crianças, os mais evoluídos também.

Esta mesma miúda cresceu, e foi aconselhada a vacinar-se contra o HPV. Já tinha antecedentes de reacção imunológica não comum, que não foram valorizados. Desenvolveu uma surdez, pouco tempo depois. Usa aparelhos auditivos com 26 anos, tem algumas limitações mecânicas. Poucas graças a Deus.

Aprendeu a viver assim. Mas o stress dos pais e de toda a família não é aliviado, ao verificarem as limitações da sua filha. E este é um caso ligeiro, mas muitos casos graves, encontramos descritos pela net fora, em vídeos de youtube, efectuados por quem não tem voz de outra forma. E não os podemos desvalorizar, porque não estão no PUBMED.

Fique aqui bem claro, que do que eu discordo é de se dar uma vacina para erradicar um vírus ligado a contacto sexual, (não erradica. Há 35 serotipos com elevado risco e nenhuma vacina para os 35 serotipos), com riscos graves de reacções adversas, sem se ter em consideração que o que tem de ser feito é a prevenção primária educacional e secundária, com a vigilância ginecológica regular e falar-lhes da prevenção das DST, o que a vacina não faz.

Aconselho também a lerem mais sobre o Coriolus Versicolor, que há anos é utilizado pela medicina chinesa, e que parece de grande utilidade nas infecções mais leves de baixo grau por HPV.

Segundo os trabalhos do Dr Silva Couto do IPO Coimbra, que efectuou um estudo em 2008, em 40 doentes com lesões de baixo grau e que seguiram um protocolo de tratamento que incluía seis comprimidos por dia durante um ano e exames regulares de três em três meses, “findo o prazo, 72,5% das pacientes já não apresentavam lesões e, em 90% dos casos, o vírus tinha desaparecido”(sic) “A grande vantagem deste cogumelo é possuir uma acção não específica”, diz o Dr Silva Couto. “Não se dirige apenas a uma estirpe de vírus, mas é capaz de criar imunidade contra todos os tipos de vírus”.

Hoje muitos médicos já o utilizam.

A conclusão a que cheguei depois de tudo o que li, e estudei, foi a de que é muito mais produtivo e eficaz a citologia e a visita à ginecologia regularmente, do que o que gastamos numa vacina que apresenta riscos não desprezíveis.

E voltando ao princípio, comecei a escrever e a estudar sobre isto, pois sistematicamente vejo mulheres na menopausa a serem aconselhadas à vacinação. E continua a não me fazer sentido, por tudo o que vimos.

“O que me preocupa não é o grito dos maus mas o silêncio dos bons.” Martin Luther King

  1. Prophylaxis of Cervical Cancer and Related Cervical Disease: A Review of the Cost-Effectiveness of Vaccination Against Oncogenic HPV Types
  2. Discrepancies in the evaluation of the safety of the human papillomavirus vaccine Jorge L Cervantes + and Amy Hoanganh DoanHuman Papillomavirus and Related Diseases Report PORTUGAL Version posted at www.hpvcentre.net on 17 June 2019
  3. HPV infection and the primary and secondary prevention of cervical cancer Douglas R. Lowy,1,* Diane Solomon,2 Allan Hildesheim,3 John T. Schiller,1 and Mark Schiffman3
  4. HPV vaccination and risk of chronic fatigue syndrome/myalgicencephalomyelitis: A nationwide register-based study from NorwayBerit Feiringa,, Ida Laakea, Inger Johanne Bakkenb, Margrethe Greve-Isdahlc, Vegard Bruun Wyllerd,Siri E. Håberge, Per Magnusf, Lill Trogstad
  5. Paradoxical effect of anti-HPV vaccine Gardasil on cervical cancer rate, January 2019, Dr G Delépine, oncologist, surgeon
  6. Human Papilloma Virus and related diseases report, HPV Information Centre, World report, Junho 2019
  7. Human Papilloma Virus and related diseases report, HPV Information Centre, Europe report, Junho 2019
  8. Human Papilloma Virus and related diseases report, HPV Information Centre, Portugal report, Junho 2019
  9. Safety of quadrivalent human papillomavirus vaccine administered routinely to females, Klein NP, et al, 2012
  10. WHO- site
  11. A 10-year history of the HPV vaccine in Portugal in the NVP. HPV Vaccination in Portugal, Technical Vaccination Commission, 2018. (A história dos 10 anos da vacina HPV no PNV A vacinação HPV em Portugal, Comissão Técnica de Vacinação, 2018)
  12. First study conducted in Portugal on indentifying the genotypes of the Human Papiloma Virus (HPV) amongst a sexually active vaccinated female population (Primeiro estudo em Portugal sobre a identificação dos genótipos do vírus do papiloma humano (HPV) numa população feminina vacinada com atividade sexual), Raquel Rocha, HPV Vaccine Study Group (Grupo de Estudo da Vacina do HPV), Nuno Verdasca, 2017
  13. High-Risk human papillomavirus genotype distribution in the Northern region of Portugal: Data from regional cervical cancer screening program, Hugo Sousa et al
  14. Safety Profile of the 9- Valent HPV Vaccine: A combined Analysis of 7 Phase III Clinical Trials Edson D Moreira et al, 2015